" Quero deixar bem claro que a única coisa que existe para mim é a juventude, tudo o mais é besteira, lantejoula, vidrilho. Posso fazer duas mil plásticas e não resolve, no fundo é a mesma bosta, só existe a juventude. Ele era a minha juventude mas naquele tempo eu não sabia, na hora a gente nunca sabe nem pode mesmo saber, fica tudo natural como o dia que sucede à noite, como o sol, a lua, eu era jovem e não pensava nisso como não pensava em respirar. Alguém por acaso fica atento ao ato de respirar? Fica, sim, mas quando a respiração se esculhamba. Então dá aquela tristeza, puxa, eu respirava tão bem..."

 Lygia F. Telles, do conto Apenas um saxofone, em: Antes do baile verde. Companhia das letras, p.36.

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