"Fiquei de repente calado e sentindo a coisa que me dá de vez em quando,  nas ocasiões em que os dias ficam compridos e isso começa de manhã quando acordo sentindo uma aporrinhação enorme e penso que depois de tomar banho passa,  depois de tomar café passa,  depois de fazer ginástica passa,  depois do dia passar passa,  mas não passa e chega a noite e estou na mesma, sem querer mulher ou cinema, e no dia seguinte também não acabou. Já fiquei uma semana assim, deixei crescer a barba e olhava as pessoas, não como se olha um automóvel,  mas perguntando,  quem é?, quem é?, quem-é-além-do-nome?, e as pessoas passando na minha frente,  gente pra burro neste mundo,  quem é? "

Rubem Fonseca,  do conto A força humana, in:  Os cem melhores contos do século; seleção: Italo Moricone. Ed. Objetiva.  p. 208.

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