" Percebi também que a súbita importância que eu havia adquirido, e que talvez nem merecesse, ou quem sabe fosse menor do que meu merecimento (não importa), em vez de ser algo tranquilizador aumentava a sensação de isolamento, que logo depois percebi não ser apenas minha. Imaginei que isso não convinha a duas pessoas que, uma vez tendo decidido a respeito da localização do marco zero, tinham agora uma trajetória pela frente. Talvez eu não esperasse tanto, ou talvez esperasse mais. Ou é possível que não soubesse o que esperar, se é que existe mesmo essa coisa de esperar seja o que for de quem quer que seja. "
Humberto Mariotti, in : Antigamente era janeiro. Ed. A Girafa, 2005. p. 8.
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