"_Não digo que não, _ respondeu Swann espantado. _ O que censuro aos jornais é fazerr-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais. De vez que rasgamos febrilmente cada manhã a faixa do jornal, deviam-se então mudar as coisas e pôr no jornal, digamos... os Pensamentos de Pascal! (acentuou o título com uma ênfase irônica para não parecer pedante). E no volume de corte dourado que só abrimos uma vez cada vez dez anos, _ acrescentou, testemunhando pelas coisas mundanas esse desdém que afetam certos homens da sociedade, _ é que leríamos que a rainha da Grécia foi a Cannes, ou que a princesa de Léon deu um baile à fantasia. Com isto, estaria restabelecida a justa proporção." 

PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido: no caminho de Swann. Porto Alegre: Ed. Globo. p. 30, 1983.

Comentários

Postagens mais visitadas