"Ele tomou-lhe a mão. Beijou-a. Havia nos seus olhos uma expressão tão terna que ela se conteve para não ceder ao impulso de apertá-lo nos braços, "eu te amo, Conrado! Ouviu bem? Eu te amo!" Apertou os lábios como que para conter a torrente de palavras há anos sufocadas. Contudo, se libertasse, talvez se transformassem simplesmente nestas: " eu te amo, eu te amo, eu te amo..." Por tantas vezes represadas, teria que repeti-las infinitamente. Buscou-lhe o olhar. "Agora já!..." Mas eles se desviou. Então ela baixou a face perturbada. O instante mágico passara. "Ele quis que passasse." Voltava o amor silencioso, a amorosa amizade que era tudo quanto lhe oferecia."

Lygia F. Telles em: Ciranda de Pedra. Ed. Nova Fronteira, p.130.

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