"Apaixonou-se por um homem aos quatro anos e meio e pelo medo aos cinco. O objecto da sua primeira paixão era louro, de olhos azuis e muito mais velho. Teresa passava tardes no quarto dos brinquedos a imaginar que o seu amor estava à morte (um incêndio, um afogamento, um despiste, um tiro) e que ela perdia a vida para o salvar. Entretanto, as pessoas crescidas julgavam que Teresa odiava o rapaz, porque fugia dele a sete pés. Habituou-se a falar mais com amigos imaginários do que com pessoas reais, como se habituou ao gosto das paixões dilacerantes."

PEDROSA, Inês. A instrução dos amantes. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2006. p. 95.

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