Napoleão: _Nossa! Esquisito, estranho, que eu encontrei... eu nunca tinha estado aqui.
Lulu: _Eu te procurei pela casa toda.
Napoleão: _Eu te procurei pelo sítio todo.
Lulu: _Mas eu não te achei
Napoleão: _Também não te achei.
Lulu: _Que cê tá fazendo aí?
Napoleão: _Tava lendo um livro aqui. (?) a arte de envelhecer, é de Cícero. É romano ou grego?
Lulu: _É romano.
Napoleão: _Romano é um radical. Vou ler para você um pedacinho que tem aqui: "A velhice é, talvez, o melhor dos tempos: livre da escravidão do sexo, da ditadura da carne, o homem pode, finalmente, viver a sua plenitude." Viver a sua plenitude. Esse romano Cícero não sabia de nada. Por que ele não sabe que a libido não envelhece? Na bíblia tá escrito direitinho que Matusalém era um garanhão. Eu tenho 75 anos, mas é como se eu tivesse 7,5.
[...]
Lulu: _Cê me viu no mato com o Sancler, não foi?
Napoleão: _Vi. Esquisito o nome desse rapaz, né, não? Como ele arranjou esse nome francês?
Lulu: _O dele se escreve: S-A-N-C-L-E-R.
Napoleão: _Ah, entendi!
Lulu: _Cê não ficou com ciúmes, não?
Napoleão: _Eu fiquei com ciúmes, eu morri de ciúmes!
[...]
Lulu: _Você me obrigou a te trair, Napoleão! Depois eu saí correndo com uma culpa horrível! E vim aqui, te procurar.
[...]
Napoleão: _Já pensou se eu tivesse nascido 20 anos depois? Eu seria mais novo que o Sancler.
Lulu: _Se eu tivesse nascido dez anos antes.
Napoleão: _E foi bom, Lulu?
Lulu:_Foi.
Napoleão: _Foi ótimo?
Lulu: _Foi ótimo. Foi ótimo, Napoleão. Mas, eu choro depois, eu sofro.
Napoleão: _Mas é porque você é uma menina ainda. Você não pode ser tratada como um velho, como eu. Quer dizer, velho não, não sou velho, não sou velho... Eu sou antigo. Mas, também, é uma palavra... eu sou um homem experimentado, testado. Você, não... Tá começando, tá engatinhando na sua vida sexual. Jogo da verdade!
Lulu: _Não. Não, não, não, não, não, eu não quero. Não vou mais falar nada.
Napoleão: _"Amar é querer o bem do outro!" Amar é querer o bem do outro, se eu não pensar assim, como é que eu vou pensar, Lulu, como é que eu vou ter cara para dizer para você que eu te adoro?
Primeiro dia de um ano qualquer (2012). Direção: Domingos de Oliveira.
Lulu: _Eu te procurei pela casa toda.
Napoleão: _Eu te procurei pelo sítio todo.
Lulu: _Mas eu não te achei
Napoleão: _Também não te achei.
Lulu: _Que cê tá fazendo aí?
Napoleão: _Tava lendo um livro aqui. (?) a arte de envelhecer, é de Cícero. É romano ou grego?
Lulu: _É romano.
Napoleão: _Romano é um radical. Vou ler para você um pedacinho que tem aqui: "A velhice é, talvez, o melhor dos tempos: livre da escravidão do sexo, da ditadura da carne, o homem pode, finalmente, viver a sua plenitude." Viver a sua plenitude. Esse romano Cícero não sabia de nada. Por que ele não sabe que a libido não envelhece? Na bíblia tá escrito direitinho que Matusalém era um garanhão. Eu tenho 75 anos, mas é como se eu tivesse 7,5.
[...]
Lulu: _Cê me viu no mato com o Sancler, não foi?
Napoleão: _Vi. Esquisito o nome desse rapaz, né, não? Como ele arranjou esse nome francês?
Lulu: _O dele se escreve: S-A-N-C-L-E-R.
Napoleão: _Ah, entendi!
Lulu: _Cê não ficou com ciúmes, não?
Napoleão: _Eu fiquei com ciúmes, eu morri de ciúmes!
[...]
Lulu: _Você me obrigou a te trair, Napoleão! Depois eu saí correndo com uma culpa horrível! E vim aqui, te procurar.
[...]
Napoleão: _Já pensou se eu tivesse nascido 20 anos depois? Eu seria mais novo que o Sancler.
Lulu: _Se eu tivesse nascido dez anos antes.
Napoleão: _E foi bom, Lulu?
Lulu:_Foi.
Napoleão: _Foi ótimo?
Lulu: _Foi ótimo. Foi ótimo, Napoleão. Mas, eu choro depois, eu sofro.
Napoleão: _Mas é porque você é uma menina ainda. Você não pode ser tratada como um velho, como eu. Quer dizer, velho não, não sou velho, não sou velho... Eu sou antigo. Mas, também, é uma palavra... eu sou um homem experimentado, testado. Você, não... Tá começando, tá engatinhando na sua vida sexual. Jogo da verdade!
Lulu: _Não. Não, não, não, não, não, eu não quero. Não vou mais falar nada.
Napoleão: _"Amar é querer o bem do outro!" Amar é querer o bem do outro, se eu não pensar assim, como é que eu vou pensar, Lulu, como é que eu vou ter cara para dizer para você que eu te adoro?
Primeiro dia de um ano qualquer (2012). Direção: Domingos de Oliveira.

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