"A pele é uma doçura suntuosa. O corpo. O corpo é magro, sem força, sem músculos, podia ser o corpo de um doente, de um convalescente, ele é imberbe, sua única virilidade é a do sexo, é muito fraco, parece estar à mercê de um insulto, parece sofrer. Ela não olha para o rosto. Não olha. Só o toca.Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a cor dourada, a novidade desconhecida. Ela geme, chora. Dominado por um amor abominável.
E chorando ele realiza o ato. A princípio, a dor. E depois a dor se transforma, é arrancada lentamente, transportada para o prazer, abraçada ao prazer.
O mar, sem forma, simplesmente incomparável."
DURAS, Marguerite. O amante. Ed.: Record/Atalaya, 1995, p. 39.
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