"Ele está trêmulo. Olha para ela como se esperasse ouvi-la dizer alguma coisa, mas a moça não fala. Então ele também fica imóvel, não a despe, diz que a ama como louco, em voz muito baixa. Depois, fica calado. Ela não responde. Poderia dizer que não a conhecerá jamais, que ele não é capaz de conhecer tanta perversidade. Mesmo com tantos e tantos subterfúgios para apreendê-la, jamais o conseguirá. A ela compete saber. Ela sabe. Partindo da ideia dessa ignorância, ela percebe de repente: gostou dele na balsa. Ele lhe agrada, tudo depende dela."

DURAS, Marguerite. O amante. Ed.: Record/Altaya, 1995, p. 38.

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